Conforme Abramo (2005), antes de 1978, a corrupção era tratada na literatura acadêmica como uma acidentalidade, pouco importante e até benéfica para a eficiência econômica. A partir de 1978, Rose-Ackerman (1978) verificou que o impacto da corrupção sobre a economia e as organizações públicas e políticas era mais danoso do que até então se afirmava, e, a partir desse estudo, declinou a popularidade da interpretação da corrupção como lubrificante benéfico para a eficiência econômica.
Ades e Di Tella (1997) concluíram que a corrupção estaria mais próxima de “areia nas engrenagens” do que de “lubrificante”, pois, se a corrupção agisse como tal, altos índices de suborno estariam diretamente relacionados a altos índices de eficiência burocrática, fato que não foi confirmado.
Ao longo dos anos 90, foram desenvolvidos diversos trabalhos empíricos sobre a corrupção e a sua relação com outros fenômenos econômicos, como crescimento, investimento público, inflação, indicadores sociais e sua análise no âmbito microeconômico, os quais serão apresentados em títulos específicos a seguir.
Referências:
ABRAMO, Claudio W., A Dificuldade de Medir a Corrupção, Novos Estudos – CEBRAP, nº73, DOI: 10.1590/S0101-33002005000300003, São Paulo, Nov. 2005.
HUNTINGTON, S.P., Political Order in Changing Societies. New Haven: Yale University Press, 1968.
LEFF, N.H., Economic Development through Bureaucratic Corruption. American Behavioral Scientist 8(3): 8-14, 1964.
ROSE-ACKERMAN, Susan, Corruption: a Study in Political Economy, Nova York: Academic Press, 1978.
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