Paolo Mauro foi pioneiro no uso de análise tipo cross-section para estimar os efeitos de como o crescimento econômico é afetado pela corrupção. Da sua pesquisa, podem-se destacar os seguintes resultados:
- redução dos incentivos ao investimento - os empreendedores têm ciência de que, com a corrupção, parte dos lucros de seus investimentos futuros pode ser reivindicada por funcionários públicos corruptos (Mauro, 1997);
- redução da eficiência dos fluxos de auxílio - o desvio de recursos públicos destinados a projetos sociais leva a uma diminuição no volume de recursos dos fundos de auxílio, pois muitos doadores desistem de realizar doações (Mauro, 1997);
- perdas de arrecadação tributária – ocorrem quando existe corrupção pelo uso indevido de isenções arbitrárias na tributação, ou evasão fiscal (Mauro, 1997);
- má alocação de recursos em contratos de licitação pública – ocorre nos casos de fraudes praticadas em licitações, levando o setor público à contratação de serviços com qualidade inferior, ou pago e não executado (Mauro, 1998);
- efeito negativo da corrupção na composição das despesas do governo. Mauro (1998) verificou que corrupção e gastos governamentais com educação se relacionam negativamente. Os agentes públicos corruptos preferem executar tipos de despesas por meio das quais possam coletar subornos, portanto, os gastos com educação e saúde são preteridos com relação aos destinados a grandes obras, onde é mais fácil desviar verbas e coletar propinas.
Silva et al (2001), por meio de estimativas econométricas, também avaliaram o impacto da corrupção no crescimento econômico de uma nação e verificaram que ela é um fenômeno que reduz a produtividade do capital, implicando na redução do produto por trabalhador na economia e apresentando impacto negativo direto na taxa de juros de longo prazo.
Carraro (2003) desenvolveu em sua tese de doutorado, um modelo de equilíbrio geral para avaliar o impacto da corrupção sobre o crescimento econômico e estimou que o custo da corrupção no Brasil, em 1998, representou 11,36% do Produto Interno Bruto (PIB).
Referências:
CARRARO, André, Um Modelo de Equilíbrio Geral Computável com Corrupção para o Brasil, Tese de Doutorado em Economia Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Brasil, 2003.
MAURO, Paolo, Corruption and Growth. The Quartely Journal of Economics, August 1995, p.681-712.
_______. Os Efeitos da Corrupção Sobre Crescimento, Investimentos e Gastos do Governo: uma Análise de Países Representativos. in: ELLIOTT, Kimberly Ann (org.) (1997). A corrupção e a economia global. 1a ed. Brasília: Universidade de Brasília, 2002. 354p.
_______. Corruption and the Composition of Government Expenditure. Journal of Public Economics, vol.69, p.263-279, 1998.
SILVA, Marcos Fernandes Gonçalves da; GARCIA, Fernando e BANDEIRA, Andréa Câmara. How does Corruption Hurt Growth? Evidences about the Effects of Corruption on Factors Productivity and per capita Income, 2001, extraído de www.transparencia.org.br, set/2009.
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